Chega mais perto


«Há uma história na minha pele, que às vezes lês com a palma da mão (...) é como um silêncio que te fala sobre mim. Eu tenho tanto para te dizer. É qualquer coisa assim: chega mais perto. Há bagagem no meu ontem, como rugas no meu coração. Por mais que os meus olhos te contem, eu digo não, não, não! Mas tu decoras-me e consegues-me fazer corar. Devolve-me o chão debaixo dos pés, diz-me quem és. Chega mais perto».



Gosto de música portuguesa. E esta é da boa. 

Lembro-me de há coisa de um ou dois anos atrás, em conversa com amigos, estarmos a falar de música e eu dizer que o Rui Veloso era (e continua a ser) o meu favorito de todos os tempos. De todos que existem e ainda estão por descobrir. E, como não poderia deixar de ser, a música da minha vida é dele. Nunca me esqueci de ti, é a tal. E em tom de brincadeira costumo dizer que um dia que um rapaz me cante isto caso-me na hora. Mas calma, é mesmo em tom de brincadeira, porque é preciso um bocadinho mais do que me cantar ao ouvido para me conquistar.

Na altura, alguém me perguntou muito surpreendido "dos estrangeiros também?". Sim! Foi a minha resposta rápida, como se já balançasse na ponta da língua. Dos estrangeiros também. É que eu gosto muito daquilo que é nosso, e desde cedo que me habituei a ouvir música em português. Ao fim destes anos todos, o amor por ouvir cantar na nossa língua só mudou porque é maior. De resto, permanece.

É verdade que também ouço música estrangeira, e há cantores e compositores que gosto muito. Mas há algo no que é nosso que me arrepia a pele, que me aconchega o coração e me aquece a alma. Há algo no que é nosso que o faz sentir de todos nós, como se cada um contribuísse com um bocadinho até o resultado final.

Não passo um dia sem ouvir música, gosto de quase todo o tipo, e gosto particularmente de descobrir músicos novos. Sobretudo se for produto nacional. Talvez por isso me prenda ao ecrã com programas como "Uma canção para ti", "Ídolos", "A voz de Portugal" ou "Operação Triunfo". É que mostram-nos daquilo que temos melhor, só é pena é que depois muitos caiam no esquecimento porque ainda se dá pouco valor à arte. E a música é uma arte.

Carolina Deslandes não é o Rui Veloso. Nem o poderia ser se quisesse. Mas é muito talentosa naquilo que faz. Além disso tem um vozeirão fantástico. E eu gosto de a ouvir, desde o tempo dos ídolos com aquele olhar inocente, mas com uma voz poderosa e uma atitude em palco que mostrava que tinha vindo para ficar. Depois tem sabido não cair no esquecimento, tem trabalho por oportunidades e o resultado é o que se vê. 

Há mais músicas para além desta. E se me é permitido recomendar alguma coisa, ouçam também "Não é verdade", "Maus Hábitos" e "Amor de cinema". Têm ritmo, têm letra, têm sentimento. 

O talento não se esgota, e se forem apreciadores de música (custa acreditar que existe alguém que não seja), procurem também por Martim Vicente, Filipe Pinto, Salvador Seixas, João Simões (ou melhor, João Bota), João Seilá, Diogo Piçarra, e tantos outros. Falo-vos destes que estiveram num programa de televisão. E se, por um lado, a exposição é boa, por outro, também facilmente os perdemos de vista. Mas estes têm dado que falar, pelos melhores motivos. 

Em Portugal faz-se boa música. Está na hora é de se fazerem bons ouvintes. E de se lutar pelas causas certas.    

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6 comentários

  1. Oh oh... acredita que em Portugal se fazem boas músicas e que os nossos músicos valem ouro!
    Imagina lá... se um Rui Veloso ou uns Virgem Suta (por exemplo) tivessem nascido e vivessem lá fora... faziam grande sucesso e seriam os maiores, vistos pelos olhos de muita gente!, mas como nasceram cá e vivem num país que até é confundindo com Espanha, são o que são. Muitos deles mereciam mais pois se ficarmos atentos à letra de uma música qualquer em inglês podemos notar que não valem meio tostão, já muitas das nossas têm princípio, meio e fim. Considero Portugal um país de gente muito rica de coração, mas para já só mesmo os ricos em papel e metal é que conseguem valer muito.

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  2. Andreia, adoro os teus blogues todos! E adoro ainda mais os comentários certeiros que fazes no meu blog! Dizes sempre tudo! ;)

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  3. Obrigada Andreia Morais!
    Alio-me completamente à tua opinião. Eu penso que já nos vemos tão "pequeninos" que ainda mais pequeninos nos fazem. E em relação às músicas pimba, é verdade que não as suporto, irritam-me as letras das músicas porque não dizem nada de bonito (elegante), são só palavras sem vergonha mas, tal como dizes, existem as versões estrangeiras que são parecidas mas que só pelo simples motivo de serem estrangeiras já são melhores que as nossas!
    Ainda bem que há gente que pensa assim como tu porque é verdade!

    Eu também adorava, ainda há pouco tempo me deu outra vez uma grande vontade de tornar a ver Sailor Moon xD
    Beijinhos!

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  4. A música portuguesa está a ficar esquecida. Digo, a boa música. Ultimamente tenho medo de saber que está alguém a gravar um disco ou alguma nova revelação...

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  5. Engraçado, porque parece que me consegues tirar as palavras da boca xD é exatamente isso. Ainda no outro dia estivemos a falar cá em casa. Este ano nem sequer fomos à Eurovisão. Será porquê? Por falta de músicas? Por orgulho? Por andarmos chateados por não conseguirmos bons pontos? Não consegui perceber o motivo que nos levou a não concorrermos este ano. Se não estou em erro e por aquilo que me contaram, desde o ano de 1964, houve uma ou duas vezes em que não participámos (não me lembro bem) e um ano foi por causa da Simone de Oliveira, pela injustiça que houve contra ela, uma história qualquer ridícula que também não deu para perceber bem. É triste que nos deixemos fazer uma coisa destas. Já levaram tanto estilo de música menos o Fado, que é só nosso! Não sei se tu te lembras daquele ano em que foi interpretado a "Senhora do Mar"... foi, para mim, uma das melhores atuações portuguesas de sempre na Eurovisão e aquilo foi um estilo um pouco "negro", "sofredor", que conta a história de um país de pescadores que perderam as suas vidas no mar, um pouco como o Fado. Porque não apostar nisso realmente? Se foi uma das melhores, tentávamos entrar com o Fado para ver o que acontecia, já que até a fadista Mariza deu a conhecê-lo ao exterior. Deveria ser um ponto a nosso favor! Enfim, não percebo...

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  6. Ora aí é que está! Subscrevo-me a tudo o que foi dito! Parece-me impossível que gente com experiência não consiga olhar para isso e que nós, mais jovens, sim!

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