Histórias de amor



«Juntos há 65 anos, casal dos EUA morre no mesmo dia, com 11h de diferença

Harold e Ruth Knapke casaram no dia 20 de Agosto de 1947, na cidade de Saint Henry, no Estado de Ohio (EUA). Pouco antes de completar 66 anos de casamento, os dois morreram numa casa de repouso, com uma diferença de 11 horas.

Familiares de Harold e Ruth contaram que o fim da sua história de amor reflectia a devoção entre os dois durante os 65 anos em que ficaram casados.
«Eu acho que todos nós concordamos que não foi uma coincidência», disse à ABC News Carol Romie, um dos seis filhos do casal. «Quando a minha mãe ficou doente, nós tentamos deixar claro para o meu pai que ela não ia sobreviver, e ele ficou bastante agitado por alguns dias, a princípio. Depois, ficou calmo, e acho que decidiu: 'Não, ela não vai sem mim.'»
Harold morreu no domingo, aos 91 anos, às 7:30. Ruth morreu às 18:30, aos 89 anos de idade. Os dois morreram no quarto em que viviam juntos há dois meses.
O casal criou os filhos em Fort Recovery, onde Harold trabalhou como professor, director e treinador numa escola, e Ruth trabalhou como secretária escolar.
Os dois tornam-se amigos «de correspondência» na 2ª Guerra Mundial, quando Harold conheceu o cunhado de Ruth, Steve, enquanto servia fora dos EUA. Harold veio a saber que Ruth vinha de uma cidade próxima à sua.
«O tio Steve sugeriu que ele enviasse cartas para ela, e assim eles começaram», disse Romie. «Essa é uma daquelas histórias de amor que não se vê nos filmes.»
Após a morte do casal, os seus seis filhos, 14 netos e oito bisnetos realizaram o enterro num cemitério de Fort Recovery. O cortejo fúnebre fez uma parada em frente ao imóvel onde a família morou, em homenagem ao desejo do casal de «voltar para casa» enquanto esteve na casa de repouso».






Sempre gostei de histórias como esta! 

A descrença no amor tem sido notória. Hoje troca-se um jantar romântico por uma ida à discoteca. Troca-se um passeio no parque por uma saída para beber. Troca-se a confiança pela desconfiança. A harmonia por discussões supérfluas e inúteis. Uma vida inteira por um momento. Hoje troca-se o amor por outra coisa qualquer. Mas como li em tempos "Não sejam tolos, não falta amor - falta amar". 

O que falta é mesmo isso, é saber amar. É lutar sem desistir. É enfrentar os problemas e não virar-lhes as costas. Não acredito no "olho por olho, dente por dente". Acredito em pessoas que, com todo o coração, podem conquistar o mundo por serem capazes de continuar mesmo depois de todas as adversidades. E o amor precisa de soldados, de guerreiros que enfrentam batalhas e conquistam guerras. O amor precisa de pessoas que o saibam cuidar. E que mesmo quando perdem a batalha não desistem de acreditar, de sonhar, de amar.

Sempre acreditei em histórias de amor. Talvez pelo facto de ter perto de mim histórias que resistem ao tempo, à sorte adversa e a tudo. Porque amar é mesmo isso: é resistir a tudo, mas a dois. Com os dois a remarem para o mesmo lado, sem se sobreporem. 

Quando vou na rua e vejo casais de mãos dadas, em que claramente se vê que o tempo lhes enrugou as mãos e as expressões, mas não o coração, acredito que ainda há contos de fadas. Dos modernos, onde já ninguém namora à janela nem escreve cartas de amor, mas envia mensagens e troca o cavalo por um Mercedes. Mas ainda existem, ainda enfrentam "os maus" para salvar a princesa, e ainda querem acabar com um "e foram felizes para sempre". Só já não se procura pela donzela a quem irá servir o sapato, nem se enfrentam Dragões para beijar a bela adormecida que espera pelo seu príncipe encantado. Agora espera-se que o telemóvel toque, espera-se por um convite para jantar ou uma ida ao cinema. 

E eu acredito, quando os vejo, que a doçura daquele olhar carrega uma vida inteira de memórias. De altos e baixos. De tudo. Mas carrega, sobretudo, um grande amor. E histórias assim fazem-me pensar nos meus avós, nos meus padrinhos e nos meus pais. E fazem-me sentir que o "sim, aceito", não é apenas uma formalidade, uma tradição, mas sim um aceitar as fraquezas, os defeitos, as quedas do outro e trata-las como se fossem a sua própria vida. 

Vivo rodeada de amor. Sempre vivi. Os meus pais fizeram vinte e cinco anos de casados e têm muitos mais pela frente, os meus padrinhos já passaram a barreira dos cinquenta e os meus avós, por todo o amor que tinham, viram-se privados um do outro mais cedo do que aquilo que queriam (será sempre cedo, por mais aniversários que se contem). Quis o destino que o meu avô partisse no dia em que eu fazia quatro anos. Mas há dois anos atrás, quando a vida me levou a minha avó, acredito que se voltaram a encontrar, e agora estão novamente de mãos dadas e com o mesmo amor que partilharam durante largos anos. 

Um dia, talvez queira o destino que eu viva a minha própria história de amor. Por enquanto, comovo-me com estas que vou lendo. E sabendo. E partilhando diariamente. E vou acreditando que quando é amor é para sempre, porque aquilo que é verdadeiro nunca se desgasta, nem nunca se perde, conquista-se dia após dia. 

Um amor assim ocupa-nos a vida toda. E sabe esperar pela outra metade do seu coração. Até que chega o dia em que o teremos que viver noutro lugar. Longe daqui. Longe dos nossos. Mas sempre perto daquele que foi o amor da nossa vida. E a nossa vida por inteiro. 

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1 comentários

  1. Já há algum tempo que não me aventurava por estes recantos, mas hoje decidi fazê-lo, e ainda bem que o fiz porque encontrei esta belíssima constatação.
    Também acredito que há guerreiros escondidos a travar as suas batalhas, que há príncipes e princesas nos seus castelos ou nas suas viagens, mas as demais realidades deturpam essa noção ao revelarem frequentes frivolidades.
    Ainda bem que existem histórias do quotidiano como esta que nos fazem recordar e relembrar o que de tão bom e tão doce ainda existe.
    Espero que esteja tudo bem. Beijinhos

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