As minhas viagens de metro #2

By Andreia Morais - fevereiro 13, 2014


«Como de ti já não tenho nada, resta-me fechar as portas e desejar que encontres o que queres no caminho que escolheste»; «Tu foste a minha grande aposta e a minha maior decepção», Margarida Rebelo Pinto


A palavra nunca sempre me fez alguma confusão. É tão forte como angustiante, como se nos carimbasse com alguma sentença. É uma palavra tão cheia de certeza, definitiva, que me assusta por isso mesmo, como se o facto de a pronunciarmos nos permitisse encerrar um capítulo ou impedir de fazer alguma coisa. Por exemplo, se disser «eu nunca mais como chocolates» é tão marcante, tão seguro, tão decisivo, que devia ser automático eu deixar de o fazer. O problema é que esse nunca devia ser para o resto da vida, mas eu não me imagino a deixar de comer chocolates uma vida inteira.

Correndo o risco de cair num pleonasmo, esse lado irrevogável da palavra nunca faz-me estremecer, por isso mesmo. Por ser irrevogável. Ou porque o deveria ser. Mas hoje em dia caímos no erro de dizer nunca por tudo e por nada - e eu que sempre ouvi dizer «nunca digas nunca». Mais recentemente li o seguinte: «Nunca digas desta água não beberei. É que o caminho é longo e pode dar-te sede!». E isso fez-se pensar em todas as vezes que tentamos ser o mais decididos possível, acrescentando muitos «nunca» no nosso discurso, como se isso fosse suficiente, e acabando por os engolir a todos em seco, por todas as voltas que a vida nos obriga a dar. 

Ainda que venha a bater com a cabeça na parede, atrevo-me a dizer que nunca serei capaz de esquecer as razões que me fizeram apaixonar por ti. E vou mais longe. Talvez nunca seja capaz de deixar de te amar, porque algures no meu coração haverá sempre um lugar para ti, por mais pequeno e escondido que seja. Ainda que me contradiga, e quantas vezes isso acontece no amor, quase que me atrevo a assegurar que não me enganarei. Só que tu não és mais essa pessoa. Não sei onde a mantens prisioneira, mas já não a revejo em ti. 

Agora quando te vejo já não sinto o coração a explodir de nervos, os joelhos a cederem e a voz a escapulir-se não sei bem para onde. Agora olho para ti e sinto que voltamos à casa de partida, como meros estranhos que partilham um pedaço de uma história que parece não ter existido. Para ti. Porque eu sei que a vivemos. E, no fundo, ainda acredito que não te esqueceste, que ainda a sentes, mas por qualquer razão que eu desconheço pareces querer esconde-la. Não do mundo. Mas de ti próprio. 

Se um dia trouxeres de volta a pessoa que foste, talvez te volte a amar como sempre e lute por ti. Agora não o posso fazer. Porque me faltam as forças e porque me deste todos os motivos para desistir de ti. Não desisti! Nem seria capaz. Assim como não me esqueço do que representas para mim. Só que agora não posso lutar mais, o meu corpo rejeita qualquer prioridade que não seja a minha própria felicidade. E eu preciso de recompor o meu coração. 

«Não sei o que me assusta mais: Se é a hipótese de tu nunca me amares ou a hipótese de eu nunca deixar de te amar». Mas eu sei o que me assusta mais. Destas duas hipóteses assusta-me muito mais a segunda. Só que mais do que isso preocupa-me o facto de nunca mais voltarmos a ser o que éramos. Isso sim assusta-me profundamente. E ainda que o nunca me faça confusão, sei que enquanto as feridas não sararem, enquanto eu não fechar de vez este capítulo ou tu desapareceres para sempre, nunca serei capaz de fechar as portas e deixar as preocupações e os medos do lado de fora da casa. 

Mas agora vou lutar por mim, até quereres voltar a lutar por nós!

M, 08.10.2013

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22 comentários

  1. 'A palavra nunca sempre me fez confusão' digo isto tantas vezes..

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  2. e tu tens que lutar pela tua felicidade pequena..

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  3. Sou como tu, mas não sei se o 'nunca' me faz confusão ou se me assusta mais. Por isso raramente a uso, não gosto dela exatamente ela certeza e decisão que traz consigo. Luta minha linda, tu mereces tudo o que há de bom!! E claro que tenho que dizer mais uma vez, que adoro 'te ler' :'D fazes-me sempre viajar no tempo!
    R: são as saudades mais díficeis de suportar. :s
    Beijinho enormee

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  4. Amiga que texto maravilhoso amei.
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br

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  5. é verdade e é uma frase q me caracteriza perfeitamente.
    é q é mesmo, olha hoje completamos 4 anos e 9 meses :p
    espero q tenhas razão s:

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  6. É mesmo, facilita imenso o estudo, pelo menos a mim :)

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  7. Nada como lutar pela felicidade, tentando não nos assustar com as palavras porque no fundo, elas têm o valor que nós lhes atribuímos.

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  8. Tens uma escrita magnífica. Se tivesse mais texto continuava a ler sem dúvida.
    Em relação ao texto, apesar de tudo tens de lutar pela tua felicidade. E se tiveres de deixar um grande amor para trás tens de o fazer. Mas olha, muita força porque não é nada fácil :)

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    1. Oh, muito, muito obrigada *.*
      Sim, é fundamental lutarmos pela nossa felicidade, ainda que isso implique seguir em frente e deixar algumas pessoas para trás. Não é mesmo nada fácil, mas acabamos por o conseguir, até porque redobramos a força e compreendemos que é altura de parar de sofrer

      Obrigada pela força, pelo comentário e pela visita. Sê sempre bem-vinda ao meu blog :)
      Beijinhos*

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  9. Somos duas com a mesma opinião! medos, medos, medos.. mas há que seguir em frente e ir em busca daquelas pessoas que valem mesmo a pena. E acima de tudo que nos fazem feliz ♥

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