Entrelinhas #8


«Os Cavaleiros de São João Baptista é um policial onde o crime se cruza com amor, o sexo se mistura com a ganância e se descobrem segredos da história de Portugal e de uma relíquia antiga que todos pensam ter sido roubada».


A curiosidade de ler algo de Domingos Amaral era cada vez maior. Várias foram as vezes em que peguei nos seus livros com uma enorme vontade de trazer, pelo menos, um para casa. Fui adiando, até porque outros se tornaram prioritários, mas não era possível resistir mais. Fui atrás das promoções do Continente com dois livros em mente, mas vim embora com dois completamente distintos. E um deles foi, precisamente, «Os Cavaleiros de São João Baptista». Sabem uma coisa? Ainda bem que não encontrei aqueles que ia à procura. Trouxe a edição de bolso, que fica bastante mais económica, e mal podia esperar para começar!

O autor narra-nos duas histórias que, aparentemente, não se relacionam, mas conforme vamos avançando vamos compreendendo que nada é por acaso; que há uma interligação profunda entre os acontecimentos de uma e os detalhes da outra. E é também por isto que somos conquistados logo na primeira palavra. E sempre que se descobrem novos indícios ficamos mais curiosos e ansiosos por saber o que acontecerá depois. As descrições pormenorizadas ajudam a intensificar os momentos e fazem-nos entrar, de forma ampla, na cabeça do assassino, perceber as provas, os dados, a razão aliada à ação.

O mistério é constante, bem como as situações de humor, as reviravoltas e as referências à Ordem dos Templários, dais quais resultam ligações curiosas. No decorrer do enredo são colocadas teorias que nos fazem a nós leitores questionar a sua veracidade, acabando por, inconscientemente, nos colocar no lugar da personagem, tentando pensar como ela, e adivinhar o seu próximo passo. No fundo, somos sistematicamente chamados, ainda que indiretamente, a entrar na história, pois envolve-nos de uma forma extraordinária. E o mais certo é acabarmos a criar as nossas teorias, o que nos aumenta o entusiasmo, até porque pretendemos descobrir se estão certas ou se haverá mais alguma mudança. 

As personagens são sólidas, bem como toda a construção da narrativa. E a divisão por partes permite-nos conhecer a perspetiva de cada pessoa envolvida. Há poder, procura de um tesouro, mentira, jogo de sedução, chantagem, intriga e a constatação de que nem tudo é o que parece. E quando achamos que tudo se encaminha sem contratempos para a resolução há uma nova reviravolta. Na parte final, parece-me impossível não ficarmos em sobressalto pela forma como um determinado acontecimento é descrito. A maneira como o livro termina deixa-me a desejar uma continuação, uma vez que há uma história, uma personagem, que merecia outro desfecho. Para além do crime e da ganância, há ainda lugar para o amor - essa força salvadora que impediu a tragédia.


Agora deixo-vos algumas citações:

«- Ela estava em casa? - perguntara João Pedro.
- João Pedro, já bebeste? Não te acabei de dizer que os homens tinham batido à porta? Claro que estava em casa!
Inês abanara a cabeça, exasperada com a sua distracção. Mas não era uma distracção. Uma frase perturbara João Pedro. Mariana dissera terem-lhe "batido à porta". Ora, bater à porta não é costume num prédio de vários andares» (pág. 17);

«(...) Algo o intrigava, mas não se lembrava o quê. Ia a ligar quando o telemóvel se antecipou, tocando. GNR de Alcácer. Sentiu uma dor no estômago.
- Parece a "sua" mulher - disse o sargento, numa voz grave» (pág. 44);

«- Achas que devo ir directo a ele?
Ele era Marcos Portugal, o pai de Mariana. O inspector não sabia se o devia contactar imediatamente ou se devia esperar. Esperança levou uma batata cozida à boca:
- Eu, ao peixe graúdo, prefiro examinar-lhe os olhos. Para ver se está fresco, percebes?» (pág. 146);

«"O Gazua" ficou surpreendido com o raciocínio dela, e talvez lisonjeado. Mariana sabia que tinha de lidar assim com ele e com "Hulk". Criar um laço afectivo qualquer, obrigá-los a gostar dela, mesmo contra a vontade deles» (pág. 190);

«A rapariga podia vê-lo pelo retrovisor do condutor, mas foi quando olhou para o retrovisor do seu lado que teve uma ideia assombrosa» (pág. 249);

«Quando voltaram a entrar no carro, depois de o velho marinheiro ser levado no jipe da GNR, Júlio César voltou-se para Zé Carlos e disse:
- Sabes o que me irrita nesta história? - O outro ficou à espera. - É que, afinal, o palpite do chefe Lopes estava certo!» (pág. 281);

«- Faz sentido. Mas é um risco tremendo - coçou a cabeça. - A não ser que...
Os outros ficaram a olhar para ele, à espera.
- A não ser que conheçam outra saída dos subterrâneos...
Junto a eles, um bombeiro comentou:
- Da maneira que as coisas estão, só têm uma hipótese... 
Viraram-se para ele. O homem apontou na direcção da casa, do poço e das labaredas e disse:
- O rio. O Zêzere» (pág. 334).

Comentários

  1. Não conhecia o autor, mas fiquei curiosa para ler algum livro dele.

    Beijinhos <3

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  2. Deve ser um livro muito interessante de um autor para mim completamente desconhecido.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.

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  3. Não conhecia, parece ser uma história bastante envolvente! :p
    r: Muito, muito obrigada querida!! Ainda bem então, não tens de agradecer, o que importa é que estejas bem! :)
    Já somos duas então xD

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  4. Inicialmente a ideia não era serem primos mas pareceu-me bem quando me saiu assim,do nada;)

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  5. O capitulo de amanhã tratá um bocadinho do passado de Salvador.

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  6. Este livro dele ainda não li mas está, como deves calcular, na minha lista! Deixaste-me ainda mais curiosa :)

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  7. r: eu fiquei viciada nesta música, obrigada . E para ti também :)

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  8. adoro ler, e aproveito imenso as férias. este livro deixou me com a pulga atrás da orelha!
    http://adventu-re.blogspot.pt/

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  9. Amo ler. Confesso que já ouvi falar muito do autor mas nunca li nada dele :/ É um objetivo que tenho em mente já há algum tempo :)
    http://bloguedacatia.blogspot.pt/

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  10. Olá, Andreia, desconheço o autor, mas pela história,
    envolta em mistérios, deve prender nossa atenção.
    Obrigada, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  11. Sei quem é o autor, mas desconhecia esse livro. E fiquei curiosa. Acho que vou comprá-lo.

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  12. Não conhecia o autor não faz o meu género de leitura mas essas citações deixaram me deverás curiosa.
    http://retromaggie.blogspot.pt/

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  13. Li dois livros dele. Edtou de intervalo nss leituras.
    Kis:=>)

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  14. Resenha maravilhosa amei a dica do livro
    Blog; http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/

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  15. Andreiamiga

    Tenho todos os livros de Domingos Amaral. Só posso dizer que tenho todos E gosto muito de todos e não prefiro nenhum; porque prefiro, sim, todos!...

    Gostarei de te ver na TRAVESSA; e ORDENO-TE que deixes um comentário. :-) :-) :-) Para já vou incluir-te no meus BLOGUES MAIS FIXES E não te sigo porque o google com nova face recusa-me. Sou realente um desinfeliz,,,

    Qjs = queijinhos = beijinhos do Leãozão

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  16. São mesmo e nós somos peritos em captá-los... Sim, porque eu também vasculho o teu insta :PP

    Ahahah, mesmo! Cada vez gosto mais destas nossas coincidências :D

    Já tinha ouvido falar muito, muito bem sobre o autor. Mas depois de ter lido a tua apreciação fiquei com vontade de ler um livro dele para poder criar a minha opinião. Ainda hoje vou à Biblioteca Municipal :)

    NEW OUTFIT POST | WORTH IT
    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  17. Não conhecia, mas fiquei curiosa para ler.

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  18. Nunca li nada desse autor mas agora vou ter de ler não é? :p

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