As minhas viagens de metro #42

By Andreia Morais - maio 20, 2016


«Sei de ti mais do que queria. Numa palavra diria: sei-te de cor», Paulo Gonzo


Revelo pouco de mim, mas tu conheces cada recanto do meu pensamento. É como se me visses por dentro. E o mais peculiar de tudo isto é que esta invasão calculada da tua parte não me incomoda. Contigo sou um livro aberto. Deixo que folheies os capítulos da minha história; que retrocedas para leres uma frase que não compreendeste tão bem; que observes e decifres os enigmas e as pinturas que guardo no peito. Contigo não sinto necessidade de acumular segredos, ainda que os tenha. Mas, com o tempo, compreendo que já os sabes de cor, apenas te mantens em silêncio em relação a todos eles, tentando perpetuar a privacidade que, aparentemente, me falta ao teu lado. Não me desarmas, nem me deixas ficar mal perante os outros. É quando estamos sozinhos que tu me lês melhor. E eu cedo, porque, no fundo, é isso que eu quero; quero que me conheças até ao último detalhe. E que mais ninguém me conheça como tu!


M, 13.02.2015

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5 comentários

  1. Só nos abrimos com algumas pessoas, na verdade, as especiais.
    Belíssimo texto, gostei imenso.
    Bom fim de semana, querida amiga Andreia.
    Beijo.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olá!

    Decidi mudar o nome do meu blogue por achar que, actualmente, o nome anterior não se identifica comigo.

    Por isso, se quiseres continuar a seguir-me, acho que é melhor adicionar o novo link à tua lista de leitura.

    Obrigada!

    http://the-freckled-girl.blogspot.pt/

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  4. Quando nos abrimos assim com alguém significa que a confiança entre ambos está no seu máximo. E isso é do mais belo que há :)

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